sábado, 3 de março de 2007

CASTRO ALVES (1847-1871)

O POETA E A MORTE



Antes de sua doença, Castro Alves já experimentara o velho tema romântico da morte na juventude e o triste lamento que esta intuição do fim nele despertava.

O abismo entre os seus sonhos e a sombria realidade que impede a realização dos mesmos aparece em Mocidade e Morte, um de seus poemas fundamentais e, além de tudo, profético, conforme se pode ver nas primeiras estrofes:

Oh! Eu quero viver, beber perfumes
Na flor silvestre, que embalsama os ares;
Ver minha alma adejar* pelo infinito,
Qual branca vela n'amplidão dos mares.
No seio da mulher há tanto aroma...
Nos seus beijos de fogo há tanta vida...
- Árabe errante, vou dormir à tarde
À sombra fresca da palmeira erguida.

Mas uma voz responde-me sombria:
Terás o sono sob a lájea* fria.

Adejar: esvoaçar
Lájea: pedra do túmulo

Um Verdadeiro Defensor dos Escravos?

Nas últimas décadas, tornou-se moda acusar Castro Alves de ter apenas piedade do escravo e de não vê-lo integrado no processo produtivo. Sendo assim, seu condoreirismo estaria impregnado dos preconceitos da burguesia branca contra o negro. Tal visão é ridícula. Basta atentarmos para poemas como Saudação a Palmares e Bandido Negro. No último, há inclusive um refrão verdadeiramente revolucionário para uma época em que o escravo que levantasse o braço contra o seu senhor era punido com ferocidade:

Cai, orvalho de sangue do escravo,
Cai, orvalho, na face do algoz.
Cresce, cresce, seara vermelha,
Cresce, cresce, vingança feroz.

O NAVIO NEGREIRO

Detalhe de um navio negreiro, com os escravos empilhados no porão do navio..

O navio negreiro, cujo título geral é Tragédia no mar, começa com uma longa e belíssima descrição do oceano, até que o poeta, postado nas alturas, avista um barco que parece navegar alegremente. Então o poeta solicita ao albatroz ("águia do oceano") que lhe dê suas asas para se aproximar da embarcação. Ao mergulhar por sobre o navio, descobre a realidade em todo o seu horror.

As cenas que se sucedem são impressionantes: a violência opressiva dos traficantes; as apóstrofes* exasperadas do poeta, tanto a Deus quanto às forças mais grandiosas da natureza; o repúdio à bandeira nacional que cobre tanta iniqüidade; e, por fim, o apelo aos heróis do Novo Mundo para que dêem um basta à espantosa tragédia: Era um sonho dantesco...O tombadilho
Que das luzernas* avermelha o brilho,
Em sangue a se banhar.
Tinir de ferros...estalar de açoite...
Legiões de homens negros como a noite
Horrendos a dançar...

Negras mulheres suspendendo às tetas
Magras crianças, cujas bocas pretas
Rega o sangue das mães.
Outras, moças... mas nuas, espantadas
No turbilhão de espectros arrastadas
Em ânsia e mágoa vãs.

E ri-se a orquestra, irônica, estridente...
E da ronda fantástica a serpente
Faz doidas espirais...
Se o velho arqueja... se no chão resvala,
Ouvem-se gritos... o chicote estala
E voa mais e mais...

Presa nos elos de uma só cadeia,
A multidão faminta cambaleia,
E chora e dança ali ...
Um de raiva delira, outro enlouquece...
Outro, que de martírios embrutece,
Cantando, geme e ri...

No entanto o capitão manda a manobra...
E após, fitando o céu que se desdobra
Tão puro sobre o mar,
Diz, do fumo entre os densos nevoeiros:
"Vibrai rijo o chicote, marinheiros!
Fazei-os mais dançar." (...)

Senhor Deus dos desgraçados!
Dizei-me vós, Senhor Deus!
Se é loucura... se é verdade
Tanto horror perante os céus...
Ó mar! por que não apagas
Com a esponja de tuas vagas
De teu manto este borrão?...
Astros! noite! tempestades!
Rolai das imensidades!
Varrei os mares, tufão! (...)

E existe um povo que a bandeira empresta
P'ra cobrir tanta infâmia e covardia!...
E deixa-a transformar nessa festa
Em manto impuro de bacante* fria!...
Meu Deus! Meu Deus! mas que bandeira é esta
Que impudente* na gávea tripudia?! ...
Silêncio!... Musa! Chora, chora tanto,
Que o pavilhão se lave no teu pranto...

Auriverde pendão* de minha terra,
Que a brisa do Brasil beija e balança,
Estandarte que a luz do sol encerra,
E as promessas divinas da esperança...
Tu, que da liberdade após a guerra
Foste hasteado dos heróis na lança,
Antes te houvessem roto na batalha,
Que servires a um povo de mortalha!... (...)

...Mas é infâmia demais... Da etérea plaga*
Levantai-vos, heróis do Novo Mundo...
Andrada! arranca este pendão dos ares!
Colombo! fecha a porta de teus mares!"

* Apóstrofe: interpelação direta a alguém
* Luzernas: clarões
* Bacante: mulher devassa
* Impudente: sem pudor
* Pendão: bandeira
* Plaga: região, país


O navio negreiro e Vozes d'África se constituem nos mais soberbos monumentos de poesia social do século XIX. E ainda que a escravidão tenha acabado, e este tema não pertença mais a experiência atual, é impossível ao leitor ficar indiferente diante de tamanha densidade dramática.

* Hipérbole: figura do exagero




ROMANTISMO NO BRASIL

A TERCEIRA GERAÇÃO

1. CASTRO ALVES (1847-1871)

Castro Alves aos 16 anos.

Vida: Descendente de uma família tradicional e poderosa do interior baiano - seu pai era médico, formado na Europa - Antônio de Castro Alves nasceu na Fazenda das Cabeceiras, perto da cidade de Curralinho. Quando tinha sete anos, a família mudou-se para Salvador. Lá estudou no Colégio Abílio, que revolucionara o ensino brasileiro pela eliminação dos castigos físicos aplicados aos alunos. Em 1858, morreu-lhe a mãe. Seu irmão mais velho, José Antônio, ficou muito abalado, suicidando-se alguns anos depois. Mas já no início de 1862, Castro Alves estava no Recife, fazendo os preparatórios para a Faculdade de Direito, ainda em companhia do irmão. Conheceu então a famosa atriz portuguesa Eugênia Câmara, de quem se tornou amante aos dezenove anos. Na Faculdade, parecia mais interessado em agitar idéias abolicionistas e republicanas e produzir versos (que obtinham grande repercussão entre os colegas) do que propriamente estudar leis.

Após concluir um drama em prosa, Gonzaga, especialmente composto para Eugênia Câmara, seguiu com a atriz rumo a Salvador. Ali os dois receberam espetacular consagração com a estréia da peça no Teatro São João. Estando ele disposto a retornar ao curso de Direito, viajaram para São Paulo, antes parando dois meses no Rio de Janeiro, onde foram celebrados por José de Alencar e Machado de Assis. A temporada paulista durou apenas um ano. O nome de Castro Alves tornara-se uma legenda: ótimo declamador de seus próprios poemas, recitou O navio negreiro e Vozes d'África sob a ovação dos estudantes. Um colega escreveu que Castro Alves "era grande e belo como um deus de Homero". Sua vida afetiva, no entanto, entrou em crise pelas constantes traições à orgulhosa Eugênia Câmara. Ela terminou por abandoná-lo definitivamente. Para esquecer a ruptura, o poeta começou a se dedicar à caça, ferindo-se casualmente no pé, que infeccionou. Levado para o Rio, foi submetido a uma amputação sem anestesia. Depois disso, debilitado, retornou à Bahia, onde viveu por pouco mais de um ano, até que sobreveio a tuberculose fatal. Morreu em fevereiro de 1871, antes de completar vinte e quatro anos.


Castro Alves aos 18 anos de idade


Oh! Bendito o que semeia
Livros... livros à mão cheia...
E manda o povo pensar!
O livro caindo n'alma
É germe - que faz a palma,
É chuva - que faz o mar.







Maria Bethânia - Memórias Do Mar


Vevé Calazans E Jorge Portugal
A água do mar na beira do cais
Vai e volta volta e meia vem e vai
A água do mar na beira do cais
Vai e volta volta e meia vem e vai
Quem um dia foi marinheiro audaz
Relembra histórias
Que feito ondas não voltam mais
Velhos marinheiros do mar da Bahia
O mundo é o mar
Maré de lembranças
Lembranças de tantas voltas que o mundo dá
Tempestades e ventos
Tufões violentos
E arrebentação
Hoje é calmaria
que dorme dentro do coração
Velhos marinheiros do mar da Bahia
O mundo é aqui
Maré mansa e morna
De Plataforma ou de Peri-Peri
Velhos marinheiros do mar da Bahia
O mundo é o mar
Maré de lembranças
Lembranças de tantas voltas que o mundo dá

COMPUTADOR

Olá! Td bem? Eu estou :-) pk to a fazer uma expo mt gira sobre a hist da língua Port, i é mt interessante ver cm cresceu a língua Port desde o D. Afonso Henrikes até aos pc's i à net.

***********************'s teh logo.

Maria Bethânia - Texto De Castro Alves, Um Índio
Caetano Veloso
É num sonho dantesco, tombadilho
Tinir de ferros, estalar do açoite
Legião de homens negros como a noite
Horrendos a dançar
Negras mulheres
Levantando as tetas
Mgras crianças
Cujas bocas pretas
Regam o sangue das mães
Outras moças
Mas nuas, assustadas
No turbilhão de espectros arrastadas
Em ânsia e mágoas vãs
Um de raiva delira
Outro enloquece
Outro que de martírios embrutece
Chora e dança ali
Senhor Deus dos desgraçados
Dizei-me vós
Senhor Desus
Se é loucura, se é verdade tanto horror
Perante os céus
Quem são esses desgraçados
Que não encontram em vós
Mais que o rio calmo da turba
Dizei-o tu severa musa
Musa libérrima audaz
São os filhos do deserto
Onde a terra esposa a luz
Onde voa em campo aberto
A tribo dos homens nús
São os guerreiros ousados
Que com os tigres mosqueados
Combatem na solidão
Homens simples, fortes, bravos
Hoje míseros escravos
Sem ar, sem luz, sem razão
Lá nas areis infindas das palmeiras no país
Nasceram crianças lindas
Viveram moças gentis
Passam um dia a caravana
Quando a virgem na cabana
Cisma da noite nos véus
Adeus oxossa do monte
Adeus palmeira da fonte
Adeus amores
Adeus
Senhor Deus dos desgraçados
Dizei-me vós Senhor Deus
Se é loucura se é verdade tanto horror
Perante os céus
Oh mar porque não apagas as tuas vagas
De teu nanto este borrão
Astro, noite, tempestade
Rolai das imensidades
Varrei os mares tufão
Existe um povo
Que a bandeira empresta
Para cobrir tanta infâmia e covardia
Que deixa transformar-se nesta festa
Em manto impuro de bacante fria
Meu Deus, meu Deus
Mas que bandeira é essa
Que impudente na gávea tripudia

Auriverde pendão da minha terra
Que a brisa do Brasil beija e balança
Antes te houvessem roto na batalha
Que servires ao um povo de mortalha
Mas a infâmia é demais
Da etérea plaga
Levantai-vos, heróis do novo mundo
Andrada arranca este pendão dos ares
Colombo fecha a porta de teus mares

UM ÍNDIO

Un índio descerá de uma estrela colorida e brilhante
De uma estrela que virá numa velocidade estonteante
E pousará no coração do hemisfério Sul da América
Num claro instate
Depois de exterminada a última nação indígena
E os espíritos dos pássaros
Das fontes de água limpa
Mais avançada que a mais avançada das mais avançadas
Das tecnologias

Virá
Impávido que nem Mohammed Ali
Virá que eu vi
Apaixonadamente como Peri
Virá que eu vi
Tranquilo e infalível como Bruce Lee
Virá que eu vi
O axé do afoxé filhos de Gandhi
Virá

Um índio preservado em pleno corpo físico
Em todo sólido, todo gás, todo líquido
Em átmos, palavras, alma, cor
Em gesto, em cheiro, em sombra, em luz,
em som magnífico
Num ponto equidestante entre o Atlântico e o Pacífico
Do objeto sim resplandescente descerá o índio
E as coisas que eu ja sei que ele dirá, fará
Não sei dizer assim de um modo explícito

Virá
Impávido que nem Mohammed Ali
Virá que eu vi
Apaixonadamente como Peri
Virá que eu vi
Tranquilo e infalível como Bruce Lee
Virá que eu vi
O axé do afoxé filhos de Gandhi
Virá

E aquilo que nesse momento se revelará aos povos
Surpreenderá a todos não por ser exótico
Mas pelo fato de poder ter sempre estado oculto
Quando terá sido o óbvio
Virá

MARIA BETHANIA / VOCÊ

Você que eu não conheço mais

Você, que um dia eu amei demais

Você, que ontem me sufocou

De amor e de felicidade

Hoje me sufoca de saudade

Você, que já não diz pra mim

As coisas que preciso ouvir

Você, que até hoje eu não esqueci

Você que, eu tento me enganar

Dizendo que tudo passou

Na realidade, aqui em mim

Você ficou

Você que eu não encontro mais

Os beijos que já não lhe dou

Fui tanto pra você e hoje nada sou!

MARIA BETHÂNIA
























SE VOCÊ QUISER ENTRAR EM CONTATO COM O FÃ CLUBE DE MARIA BETHÂNIA ENTRE EM : Rosa dos Ventos Bahia foi criado no dia seis de fevereiro de 2004 , é regido por estatuto próprio e tem como finalidade integrar pessoas que admirem o trabalho da cantora Maria Bethânia Vianna Telles Velloso. Objetivamos ainda, divulgar material sobre a artista e estabelecer amizades e intercâmbio com outros fãs.




Maria Bethânia

Bethânia começou a freqüentar as rodas artísticas acompanhando seu irmão Caetano Veloso, depois de mudar-se de Santo Amaro da Purificação para Salvador em 1960. Em 1963 cantou na peça “Boca de Ouro”, de Nelson Rodrigues e pouco depois conheceria Gal, Tom Zé e Gil, com quem montaria o espetáculo “Nova Bossa Velha, Velha Bossa Nova”. Em uma das apresentações, de passagem por Salvador, Nara Leão ouviu Bethânia cantando e assim surgiu o convite para substituí-la no antológico espetáculo “Opinião”, com Zé Ketti e João do Vale. Em 1965, gravou seu primeiro LP com sambas de Noel Rosa e músicas do irmão, àquela altura já considerado um compositor em ascenção. Em 1976 participou do supergrupo “Doces Bárbaros”, ao lado de Gil, Gal e Caetano. Dois anos mais, tornaria-se a primeira cantora brasileira a vender mais de 1 milhão de cópias, com o disco “Álibi”, onde emplacou sucessos como “Explode Coração”, “Negue” e “Sonho Meu”. Seguiu fazendo álbuns intimistas de relativo sucesso, sempre com extremo apreço à seleção do repertório. Em 1994, veio "As canções que você fez pra mim" um estrondoso sucesso só com canções românticas de Roberto e Erasmo Carlos. Em 2002 foi contratada pela gravadora Biscoito Fino e gravou o duplo “Maricotinha - Ao Vivo”, com quase 50 canções.

sexta-feira, 2 de março de 2007

EU

EU

Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do Sonho, e desta sorte
Sou a crucificada… a dolorida…

Sombra de névoa ténue e esvaecida,
E que o destino amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida!…

Sou aquela que passa e ninguém vê…
Sou a que chamam triste sem o ser…
Sou a que chora sem saber porquê…

Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver
E que nunca na vida me encontrou!

ESTUDO DO POEMA: ABAIXO

LIVRO DE MÁGOAS
Este soneto não é o primeiro do seu livro ‘Livro de Mágoas’ embora seja uma excelente autobiografia. Nela está contida a dor, a incompreensão que Florbela sofria e não percebia.

Florbela apresenta-se como uma mulher desnorteada, sem rumo na vida, desejando a evasão e sendo ligada com a irrealidade. “Crucificada” e “dolorida” são os adjectivos escolhidos para se caracterizar psicologicamente. Crucificada por não ser compreendida pelos maridos e não só; “dolorida” pela tristeza que trazia dentro de si.

A negridão débil e desfeita que o destino mais forte (triste e amargo) irá conduzi-la á morte. Note aqui um sentimento de predestinação e o sentimento que a culpa da sua morte é do destino. Termina a quadra com uma caracterização sua global “Alma de luto” (morte / sombra) “sempre incompreendida” (Florbela compreendia muito bem que nem toda a gente a aceitava e a entendia e foi esse factor que a fez desenvolver os seus poemas)

No primeiro terceto destaca a falta de atenção, a descriminação, o estereótipo que sofria por toda a gente pensar que estava sempre triste, acabando por confessar não saber o porquê de muitas vezes chorar. Florbela muitas vezes nos seus poemas confessa que não se sabe definir porque ainda não se encontrou, provavelmente a sua tristeza sistemática muitas vezes tinha um significado que ela própria nem sabia.

A predestinação do amor, do príncipe que era suposto vê-la e que nunca a encontrou. Talvez o melhor verso ou terceto que resuma a vida amorosa de Florbela Espanca. Uma vida cheia de amores, sem que nenhum fosse o certo.

Estudo sobre o poema feito por

{Maya Ogwaru}




Florbela Espanca

Florbela Espanca


A noite vem pousando devagar
Sobre a terra que inunda de amargura…
E nem sequer a bênção do luar
A quis tornar divinamente pura…

Ninguém vem atrás dela a acompanhar
A sua dor que é cheia de tortura…
E eu ouço a noite a soluçar!
E eu ouço soluçar a noite escura!

Por que é assim tão ´scura, assim tão triste?!
É que, talvez, ó noite, em ti existe
Uma saudade igual à que eu contenho!

Saudade que eu nem sei donde me vem…
Talvez de ti, ó noite!… Ou de ninguém!…

Que eu nunca sei quem sou, nem o que tenho!



Florbela Espanca
FLORBELA ESPANCA

Tu julgas que eu não sei que tu me mentes
Quando o teu doce olhar pousa no meu?
Pois julgas que eu não sei o que tu sentes?
Qual a imagem que alberga o peito meu?

Ai, se o sei, meu amor! Em bem distingo
O bom sonho da feroz realidade…
Não palpita d´amor, um coração
Que anda vogando em ondas de saudade!

Embora mintas bem, não te acredito;
Perpassa nos teus olhos desleais
O gelo do teu peito de granito…

Mas finjo-me enganada, meu encanto,
Que um engano feliz vale bem mais
Que um desengano que nos custa tanto!

  • Amiga
  • Noite de Saudade
  • A Flor do Sonho
  • A Minha Dor
  • Tortura

Biografia

Mesmo antes de seu nascimento, a vida de Florbela Espanca já estava marcada pelo inesperado, pelo dramático, pelo incomum.

Seu pai, João Maria Espanca era casado com Maria Toscano. Como a mesma não pôde dar filhos ao marido, João Maria se valeu de uma antiga regra medieval, que diz que quando de um casamento não houver filhos, o marido tem o direito de ter os mesmos com outra mulher de sua escolha. Assim, no dia 8 de dezembro de 1894 nasce Flor Bela Lobo, filha de Antónia da Conceição Lobo. João Maria ainda teve mais um filho com Antónia, Apeles. Mais tarde, Antónia abandona João Maria e os filhos passam a conviver com o pai e sua esposa, que os adotam.

Florbela entra para o curso primário em 1899, passando a assinar Flor d’Alma da Conceição Espanca. O pai de Florbela foi em 1900 um dos introdutores do cinematógrafo em Portugal. A mesma paixão pela fotografia o levará a abrir um estúdio em Évora, despertando na filha a mesma paixão e tomando-a como modelo favorita, razão pela qual a iconografia de Florbela, principalmente feita pelo pai, é bastante extensa.

Em 1903, aos sete anos, faz seu primeiro poema, A Vida e a Morte. Desde o início é muito clara sua precocidade e preferência a temas mais escusos e melancólicos.

Em 1908 Antônia Conceição, mãe de Florbela, falece. Florbela então ingressa no Liceu de Évora, onde permanece até 1912, fazendo com que a família se desloque para essa cidade. Foi uma das primeiras mulheres a ingressar no curso secundário, fato que não era visto com bons olhos pela sociedade e pelos professores do Liceu. No ano seguinte casa-se no dia de seus 19 anos com Alberto Moutinho, colega de estudos.

O casal mora em Redondo até 1915, quando regressa à Évora devido a dificuldades financeiras. Eles passam a morar na casa de João Maria Espanca. Sob o olhar complacente de Florbela ele convive abertamente com uma empregada, divorciando-se da esposa em 1921 para casar-se com Henriqueta de Almeida, a então empregada.

Voltando a Redondo em 1916, Florbela reúne uma seleção de sua produção poética de 1915 e inaugura o projeto Trocando Olhares, coletânea de 88 poemas e três contos. O caderno que deu origem ao projeto encontra-se na Biblioteca Nacional de Lisboa, contendo uma profusão de poemas, rabiscos e anotações que seriam mais tarde ponto de partida para duas antologias, onde os poemas já devidamente esclarecidos e emendados comporão o Livro de Mágoas e o livro Soror Saudade.
Regressando a Évora em 1917 a poetisa completa o 11º ano do Curso Complementar de Letras, e logo após ingressa na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Após um aborto involuntário, se muda para Quelfes, onde apresenta os primeiros sinais sérios de neurose. Seu casamento se desfaz pouco depois.

Em junho de 1919 sai o Livro de Mágoas, que apesar da poetisa não ser tão famosa faz bastante sucesso, esgotando-se rapidamente. No mesmo ano passa a viver com Antônio Guimarães, casando-se com ele em 1921. Logo depois Florbela passa a trabalhar em um novo projeto que a princípio se chamaria Livro do Nosso Amor ou Claustro de Quimeras. Por fim, torna-seLivro o Soror da Saldade publicado em janeiro de 1923.

Após mais um aborto separa-se pela segunda vez, o que faz com que sua família deixe de falar com ela. Essa situação a abalou muito. O ex-marido abriu mais tarde em Lisboa uma agência, “Recortes”, que enviava para os respectivos autores qualquer nota ou artigo sobre ele. O espólio pessoal de Antônio Guimarães reúne o mais abundante material que foi publicado sobre Florbela, desde 1945 até 1981, ano do falecimento do ex-marido. Ao todo são 133 recortes.

Em 1925 Florbela casa-se com Mário Lage no civil e no religioso e passa a morar com ele, inicialmente em Esmoriz e depois na casa dos pais de Lage em Matosinhos, no Porto.

Passa a colaborar no D. Nuno em Vila Viçosa, no ano de 1927, com os poemas que comporão o Charneca em Flor. Em carta ao diretor do D. Nuno fala da conclusão de Charneca em Flor, e fala também da preparação de um livro de contos, provavelmente O Dominó Preto.

No mesmo ano Apeles, irmão de Florbela, falece em um trágico acidente, fato esse que abalou demais a poetisa. Ela aferra-se à produção de As Máscaras do Destino, dedicando ao irmão. Mas então Florbela nunca mais será a mesma, sua doença se agrava bastante após o ocorrido.

Começa a escrever seu Diário de Último Ano em 1930. Passa a colaborar nas revistas Portugal Feminino e Civilização, trava também conhecimento com Guido Batelli, que se oferece para publicar Charneca em Flor. Florbela então revê em Matosinhos as provas do livro, depois de tentar o suicídio, período em que a neurose se agrava e é diagnosticado um edema pulmonar.

Em dois de dezembro de 1930, Florbela encerra seu Diário do Último Ano com a seguinte frase: “… e não haver gestos novos nem palavras novas.” Às duas horas do dia 8 de dezembro – no dia do seu aniversário Florbela D’Alma da Conceição Espanca suicida-se em Matosinhos, ingerindo dois frascos de Veronal. Algumas décadas depois seus restos mortais são transportados para Vila Viçosa, “… a terra alentejana a que entranhadamente quero”.

FONTES:
http://www.instituto-camoes.pt/cvc/projtelecolab/tintalusa/
numerodois/tl3.html

http://purl.pt/272/2/index.html

http://www.torre.xrs.net/

Coleção “A Obra Prima de Cada Autor” – Editora Martin Claret

"Quem me dera encontrar o verso puro, O verso altivo e forte, estranho e duro, que dissesse a chorar isto que sinto!"

















Caetano Veloso - O Ciúme



Dorme o sol a flor do Chico meio dia
Tudo esbarra embriagado de seu lume
Dorme ponte, Pernambuco, Rio, Bahia
Só vigia um ponto negro, o meu ciúme

O ciúme lançou sua flecha preta
E se viu ferido justo na garganta
Que nem alegre, nem triste, nem poeta
Entre Petrolina e Juazeiro canta

Velho Chico vens de Minas
De onde o oculto do mistério se escondeu
Sei que o levas todo em ti
Não me ensinas
E eu sou só, eu só, eu

Juazeiro nem te lembras desta tarde
Petrolina nem chegaste a perceber
Mais na voz que canta tudo ainda arde
Tudo é perda, tudo quer buscar, cadê

Tanta gente canta, tanta gente cala
Tantas almas esticadas no curtume
Sobre toda a estrada, sobre toda sala
Paira, monstruosa sombra do ciúme.

Nascente do Rio São Francisco em
Minas Gerais.
Caetano Veloso - Sozinho


Às vezes, no silêncio da noite
Eu fico imaginando nós dois
Eu fico ali sonhando acordado
Juntando...
o antes, o agora e o depois
Por que você me deixa tão solto?
Porque você não cola em mim?
Tô me sentindo muito sozinho!
Não sou nem quero ser o seu dono
É que um carinho às vezes cai bem
Eu tenho os meus segreods e planos...
secretos...
só abro pra você, mais ninguém
Por que você me esquece e some?
E se eu me interessar por alguém?
E se ela, de repente, me ganha?
Quando a gente gosta...
É claro que a gente cuida
Fala que me ama...
Só que é da boca pra fora.
Ou você me engana...
Ou não está madura
Onde está você agora?
Caetano Veloso - Luz do Sol


Luz do sol
Que a folha traga e traduz
Em verde novo
Em folha em graça
Em vida em força em luz
Céu azul que vem até
Onde os pés tocam ne terra
E a terra inspira e exala seus azuis
Reza, reza o rio

Córrego para o rio, o rio pro mar
Reza correnteza roça a beira doura a areia
Marcha o homem sobre o chão
Luz do sol

Leva no coração uma ferida acesa
Dono do sim e do não
Diante da visão da infinita beleza
Finda por ferir com a mão essa delicadeza
A coisa mais querida
A glória da vida
Luz do sol
Que a folha traga e traduz
Em verde novo
Em folha em graça
Em vida em força em luz

Caetano soube em poucas palavras
definir fotossíntese: luz do sol, que a
folha traga e traduz em verde novo
em folha em graça em vida em força
em luz

DIA NACIONAL DA POESIA

DIA NACIONAL DA POESIA

14 de março

Nascimento do poeta baiano Antônio de Castro Alves (1847)


Afinal, por onde anda a Poesia?

Nestes dias turbulentos de tanta violência,

ganância,

da tresloucada corrida

por comida, trabalho,

poder, status...

Afinal,

onde se escondeu a Poesia?

Onde estão os grande poetas,

os menestréis,

os cantadores?

Onde estão os poemas que nos encantam,

nos arrebatam,

nos enternecem,

nos deixam mais humano?

A vida é muita dura,

embora bela e inexorável;

a vida não nos deixa tempo

- o tempo, esse abismo

aberto aos nossos pés,

devorando nossos sonhos,

triturando nossos amigos,

nossos amores,

nossa ternura,

nossa própria vida.

Por isso, e por muito mais,

eu carrego comigo,

talvez no fundo do bolso,

talvez num cantinho da alma,

um pouquinho de Poesia

para dividir com meus semelhantes.

Paulo Tarso Barros



VOCÊ É LINDA


Fonte de mel

Nuns olhos de gueixa

Kabuki, máscara

Choque entre o azul

E o cacho das acácias

Luz das acácias

Você é mãe do sol

A sua coisa é toda tão certa

Beleza esperta.

Você me deixa a rua deserta

Quando atravessa

E não olha pra trás

Linda

E sabe viver

Você me faz feliz

Esta canção é só pra dizer

E diz

Você é linda

Mais que demais

Você é linda sim

Onda do mar do amor

Que bateu em mim

Você é forte

Dentes e músculos

Peitos e lábios

Você é forte

Letras e músicas

Todas as músicas

Que ainda hei de ouvir

No Abaeté

Areias e estrelas

Não são mais belas

Do que você

Mulher das estrelas

Mina de estrelas

Diga o que você quer

Você é linda

E sabe viver

Você me faz feliz

Esta canção é só pra dizer

E diz

Você é linda

Mais que demais

Você é linda sim

Onda do mar do amor

Que bateu em mim

Gosto de ver

Você no seu ritmo

Dona do carnaval

Gosto de Ter

Sentir seu estilo

Ir no seu íntimo

Nunca me faça mal

Linda

Mais que demais

Você é linda sim

Onda do mar do amor

Que bateu em mim

Você é linda

E sabe viver

Você me faz feliz

Esta canção é só pra dizer

E diz

O Brasil estava Fora de Ordem e sob às ordens dos ditadores. A liberdade foi proibida e os artistas tentavam de todas as maneiras quebrar as barreiras da censura. O Menino do Rio resistiu bravamente. Suas letras preciosas traduzem bem esta época: a ditadura com seus Podres Poderes. No tempo em que os jovens saíram às ruas "sem lenço e sem documento", nem tudo era Alegria, Alegria, mas ele estava lá contra tudo e todos. Vale lembrar que, também nesta década, foi fundado um dos mais importantes momentos artísticos, o Tropicalismo, movimento de vanguarda que abalou as estruturas musicais e culturais do Brasil. Mas Caetano queria mais. Queria inovar, chocar. De tão autêntico, chegou a ser vaiado ao levar para o palco É proibido proibir na eliminatória paulista do 3º Festival Internacional da Canção, no Teatro da Universidade Católica de São Paulo, em 1968. No entanto, nada o derrubaria. No fim da década de 60, depois de ser delatado, Esse Cara foi mandado para o exílio em London, London, onde continuou compondo e participando da vida de sua Terra, agora tão distante.

Samba, suor e cinema
Atrás do trio elétrico... só não vai quem já morreu. Como um bom baiano, Caetano segue à risca o verso, um de seus grandes sucessos. O cantor é presença certa no Carnaval de Salvador. Quando não está no camarote, basta procurá-lo no trio de Gil - Expresso 2222 - ou de Daniela Mercury. No Rio, Os Mais Doces Bárbaros, Caetano, Gal, Gil e Bethânia, foram homenageados pela Mangueira, em 1994. Com o enredo Atrás da verde e rosa só não vai quem já morreu, a escola mais tradicional do Rio levou para a Marquês de Sapucaí aqueles que revolucionaram a música brasileira.
Em sua carreira, Caetano mostra que é adepto a todos os ritmos, e o carnaval sempre esteve presente em sua vida. Em 1972, o baiano compôs um grande sucesso, o frevo Chuva, Suor e Cerveja. Cinco anos depois, lançou um compacto simples com as suas carnavalescas Piaba e A filha da Chiquita Bacana. Como sempre versátil, o nosso baiano também participou da sétima arte. Sua primeira incursão foi em O Cinema Falado. Em 1994, a música Tonada de Luna Llena, do CD "Fina Estampa", foi imortalizada na cena final de A Flor do Meu segredo, do amigo espanhol Pedro Almodóvar. Caetano também deu A Luz de Tieta ao filme Tieta do Agreste, do cineasta Cacá Diegues. Podemos até tentar definir Caetano, mas como vemos é realmente impossível dizer: "esse baiano é isso" ou "esse baiano é aquilo". O que importa de verdade é que este homem de Fina Estampa tragou todas as tendências e as traduziu para o público, como em sua canção Luz do Sol...

Caetano Veloso - Biografia
Nascido em Santo Amaro da Purificação, a 73 quilômetros de Salvador, o irmão de Maria Bethânia já parecia saber o que seria no futuro desde pequeno. Com pouco mais de 4 anos de idade, o filho de dona Canô já marcava A Tua Presença Morena, revelando seus dotes artísticos. Ao completar 60 anos, o Beleza Pura, pai de três filhos - Moreno Veloso, do seu casamento com Dedé Gadelha, e os caçulas Zeca e Tom Veloso, fruto da união com a carioca Paula Lavigne - nos reserva um incrível legado musical, um dos mais importantes da MPB.

quinta-feira, 1 de março de 2007

Flor da Pele (Zeca Baleiro)

Flor da Pele

Ando tão à flor da pele,
Qualquer beijo de novela me faz chorar
Ando tão à flor da pele,
Que teu olhar "flor na janela" me faz morrer
Ando tão à flor da pele,
Que meu desejo se confunde com a vontade de não ser
Ando tão à flor da pele,
Que a minha pele tem o fogo do juízo final

Um barco sem porto
Sem rumo, sem vela
Cavalo sem sela
Um bicho solto
Um cão sem dono
Um menino, um bandido
Às vezes me preservo
Noutras suicido

Oh, sim, eu estou tão cansado
Mas não pra dizer
Que não acredito mais em você
Eu não preciso de muito dinheiro
Graças a Deus
Mas vou tomar aquele velho navio
Aquele velho navio


Canção III (Hilda Hilst / Zeca Baleiro)

Canção III

A minha Casa é guardiã do meu corpo
E protetora de todas minhas ardências.
E transmuta em palavra
Paixão e veemência

E minha boca se faz fonte de prata
Ainda que eu grite à Casa que só existo
Para sorver a água da tua boca.

A minha Casa, Dionísio, te lamenta
E manda que eu te pergunte assim de frente:
À uma mulher que canta ensolarada
E que é sonora, múltipla, argonauta
Por que recusas amor e permanência?

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007












  • A FAMÍLIA VELOSO

    NÃO ME ARREPENDO

    eu não me arrependo de você

    cê não me devia maldizer assim

    vi você crescer

    fiz você crescer

    vi cê me fazer crescer também

    pra além de mim

    não, nada irá nesse mundo

    apagar o desenho que temos aqui

    nem o maior dos seus erros,

    meus erros, remorsos, o farão sumir

    vejo essas novas pessoas

    que nós engendramos em nós

    e de nós

    nada, nem que a gente morra,

    desmente o que agora

    chega à minha voz.


    Caetano Veloso

    terça-feira, 27 de fevereiro de 2007





    OUTRO

    você nem vai me reconhecer

    quando eu passar por você

    de cara alegre e cruel

    feliz e mau como um pau duro

    acendendo-se no escuro

    cascavel

    eriçada na moita

    concentrada e afoita

    eu já chorei muito por você

    também já fiz você chorar

    agora olhe pra lá porque

    eu fui me embora

    você nem vai me reconhecer

    quando eu passar por você


    Caetano Veloso
    ¨TOTALMENTE DEMAIS ¨

    Sampa [Caetano Veloso]

    Sampa [Caetano Veloso]
    Alguma coisa acontece no meu coração
    Que só quando cruzo a Ipiranga e a avenida São João
    É que quando eu cheguei por aqui
    Eu nada entendi
    Da dura poesia concreta de tuas esquinas
    Da deselegância discreta de tuas meninas
    Ainda não havia para mim Rita Lee
    A tua mais completa tradução
    Alguma coisa acontece no meu coração
    Que só quando cruza a Ipiranga e a avenida São João
    Quando eu te encarei frente a frente
    Não vi o meu rosto
    Chamei de mau gosto o que vi, de mau gosto, mau gosto
    É que narciso acha feio o que não é espelho
    E a mente apavora o que ainda não é mesmo velho
    Nada do que não era antes
    Quando não somos mutantes
    E foste um difícil começo
    Afasto o que não conheço
    E quem vem de outro sonho feliz de cidade
    Aprende depressa a chamar-te de realidade
    Por que és o avesso do avesso
    Do avesso do avesso

    Do povo oprimido nas filas
    Nas vilas, favelas
    Da força da grana que ergue
    E destrói coisas belas
    Da feia fumaça que sobe apagando as estrelas
    Eu vejo surgir teus poetas de campos e espaços
    Tuas oficinas de florestas
    Teus deuses da chuva
    Pan Américas de Áfricas utópicas, túmulo do samba
    Mais possível novo Kilombo de Zumbi
    E os novos baianos passeiam na tua garoa
    E novos baianos te podem curtir numa boa

    Onde Estará o Meu Amor? Composição: Indisponível


    Onde Estará o Meu Amor?

    Zeca Baleiro


    Como esta noite findará
    E o sol então rebrilhará
    Estou pensando em você...
    Onde estará o meu amor ?
    Será que vela como eu ?
    Será que chama como eu ?
    Será que pergunta por mim ?
    Onde estará o meu amor ?
    Se a voz da noite responder
    Onde estou eu, onde está você
    Estamos cá dentro de nós
    Sós...
    Se a voz da noite silenciar
    Raio de sol vai me levar
    Raio de sol vai lhe trazer
    Onde estará o meu amor ?




    Alguma coisa acontece no meu coração
    Que só quando cruzo a Ipiranga e a avenida São João
    É que quando eu cheguei por aqui
    Eu nada entendi
    Da dura poesia concreta de tuas esquinas..................







    TOQUINHO & VINÍCIUS / SAMBA DE ORLY

    HILDA HILST


    Que este amor não me cegue nem me siga.
    E de mim mesma nunca se aperceba.
    Que me exclua do estar sendo perseguida
    E do tormento
    De só por ele me saber estar sendo.
    Que o olhar não se perca nas tulipas
    Pois formas tão perfeitas de beleza
    Vêm do fulgor das trevas.
    E o meu Senhor habita o rutilante escuro
    De um suposto de heras em alto muro.

    Que este amor só me faça descontente
    E farta de fadigas. E de fragilidades tantas
    Eu me faça pequena. E diminuta e tenra
    Como só soem ser aranhas e formigas.

    Que este amor só me veja de partida.


    INSTRUMENTOS DA MPB







    ALFONSINA E EL MAR / Ariel Ramirez / Felix Luna


    Alfonsina Y El Mar


    Ramirez / Felix Luna

    Por la blanda arena
    Que lame el mar
    Su pequeña huella
    No vuelve más
    Un sendero solo
    De pena y silencio llegó
    Hasta el agua profunda
    Un sendero solo
    De penas mudas llegó
    Hasta la espuma.

    Sabe Dios qué angustia
    Te acompañó
    Qué dolores viejos
    Calló tu voz
    Para recostarte
    Arrullada en el canto
    De las caracolas marinas
    La canción que canta
    En el fondo oscuro del mar
    La caracola.

    Te vas Alfonsina
    Con tu soledad
    ¿Qué poemas nuevos
    Fuíste a buscar?
    Una voz antigüa
    De viento y de sal
    Te requiebra el alma
    Y la está llevando
    Y te vas hacia allá
    Como en sueños
    Dormida, Alfonsina
    Vestida de mar.

    Cinco sirenitas
    Te llevarán
    Por caminos de algas
    Y de coral
    Y fosforescentes
    Caballos marinos harán
    Una ronda a tu lado
    Y los habitantes
    Del agua van a jugar
    Pronto a tu lado.

    Bájame la lámpara
    Un poco más
    Déjame que duerma
    Nodriza, en paz
    Y si llama él
    No le digas nunca que estoy
    Di que me he ido.

    Te vas Alfonsina
    Con tu soledad
    ¿Qué poemas nuevos
    Fueste a buscar?
    Una voz antigüa
    De viento y de sal
    Te requiebra el alma
    Y la está llevando
    Y te vas hacia allá
    Como en sueños
    Dormida, Alfonsina
    Vestida de mar.