quarta-feira, 20 de junho de 2007

Pantanal de Mato Grosso (BRASIL) e sua exuberante natureza

NOSSA AMAZÔNIA

Margô Antunes é pseudônimo de Marcelo de Andrade

No teu silêncio me ouço
Nas tuas sombras me ilumino
No teu olhar, meu calabouço
No teu pulsar me angustio

Tua voz me cala o soneto
Tua brisa expõe-me a ferida
Tua luz, abismo perfeito
Teu riso, escárnio da vida

Impossível de ti não ter
Do teu cálice não beber
Meu vício, dor, meu açoite

De mim tire o que preciso
Em tua loucura, meu siso
Meu dia és tu, bela noite.

terça-feira, 19 de junho de 2007

POUSANDO EM VÁRIOS GALHOS / PÁSSARO DISTANTE




Autor: Pássaro Distante



Navega nesta água que transborda
Do lago do meu peito fundo e preso
De sonhos que precisam duma borda
Que ampare quem não quer ficar ileso.

Viaja junto à estrada que me nega
O ponto de partida obrigatório
Girando pela faixa que sossega
Apenas com um som inquisitório.

Abraça a ponte que te viu partir
Eivada dumas nuvens sem tempero,
Aquelas que, fazendo-te sorrir,
Mostraram como é belo o desespero.

Afaga a fome nesse hotel sombrio
Que despe a tua máscara ingrata
Que ao espelho vê a luz do arrepio:
Cinzenta como a vida que te enfarta.

Aquece o lume da indignação,
Aceso pelas brasas do destino
Que queimam a mais bela oração
Imposta desde um berço de menino.

Habita a maresia que te salga
Com gotas de oceano sorridente
Que, brando, nem sequer fere, ou galga,
Um porto ou cais amigo e confidente.

Onera esse teu corpo encardido
De cheiros de animais de outras bandas,
Aqueles que sussurram ao ouvido:
Prometem ilusões, ou seja, tangas!

Não esqueças de piscar o olho à lua
Que encobre o gosto pelo descaminho
E mostra o rosto que no mar flutua
À espera de um dia ficar sozinho.

Ampara a queda de uma estrela rara
Que veio ao teu caminho, sem juízo
E fez a tua vida negra e cara
Cegando no que mais era preciso.

Vislumbra no meu ser funesta caixa
De sonho ou projecto mal montado
Visível nas horas de maré baixa
Mas sempre, ou quase sempre, afogado.

Irrita aquele que te quer amar
E põe à prova o seu sentimento
Sabes, então, que não vai fraquejar
Quando a tormenta seja algum tormento.

Atura-me esse homem embrutecido
Que arrota dinheiro pelas entranhas.
É o preço de apenas teres querido
Dizer lamúrias ou viver em manhas.

Isola essa mulher autoritária
Querendo prender tudo à sua volta:
Acabou numa casa mortuária
De onde recebeu divina escolta.

Vagueia nesses bares de segunda
E mostra ao copo o gelo que te acalma.
E cala essa garganta moribunda
Que não sabe o caminho para a alma.

Promete àquele que te viu nascer
E fez de tristes sombras teu futuro
Que não farás, a quem te suceder,
O mesmo que te fizeram no escuro.

Irrita essa Ministra das Finanças
Que aliviou o bolso dessas calças,
Agora preenchido com livranças
E dívidas penduradas nas alças.

Despreza essa mulher que te maltrata
Cobrando o teu sossego com maus jeitos
E faz da tua vida mera errata
Dum livro de lamúrias e defeitos.

Registra essa menina que te adora
Elevando o teu nome com orgulho,
Acompanhando-te na vida fora,
Fazendo do teu ser um belo embrulho.

Invade o centro do teu hemisfério
E mostra-lhe o que está angustiado:
Aquilo que já fora um caso sério
E vive num semblante agoniado.

Ilustra-me o teu sonho mais perfeito
Com a pauta da mais linda melodia
Que ecoa mesmo em ar tão rarefeito
De gente que não sabe o que é poesia!

Homenagem ao Poeta Castro Alves / Ronaldo Gomes

Homenagem ao Poeta Castro Alves

Tempo!
Não, Castro Alves,
Não tenho nenhuma máquina do tempo,
Não tenho tempo,
O pouco que resta é posto à venda,
É consumido pelo fogo do passado,
É amordaçado pelas mãos frias e cruéis
Dos senhores de escravos.

Não!
Não tenho a força do teu grito Castro,
Apenas a cumplicidade do meu silêncio,
O meu navio é de papel, não tem correntes,
Não tem porões...

Castro Alves, você ouviu?
Sinta o silêncio,
Nasceu! Nasceu mais um escravo,
Não fora na senzala,
Mas num quarto escuro no subúrbio do Brasil,
Não fora retirado do ventre por uma preta velha,
Mas arrastado por mãos envoltas em sacos plásticos,
Não fora aquecido por fogueira,
Mas por chumbo que cortava a noite.
Ele é branco, mestiço, índio, negro, mulato...
Por isso ele não chorou,
Os pais ainda não sabem que o filho nascera.

Um velho político sorriu satiricamente.
- Tudo bem, ele é o nosso feitor!

Sei que vou morrer, Castro Alves,
Só não sei em qual esquina do mundo.
Cento e sessenta anos nos separam, o escritor e o escravo,
Escravo branco de uma sociedade espurcícia,
Que assistem de camarote gélida e letárgica
A escravidão do mundo, não mais só de negros,
E sim, todos os povos.

Padre!
A minha cruz é de madeira podre,
Não suporta o corpo,
Há um gozo profundo na alma do poeta,
Uma gota de orvalho escorrendo na minha dor,
Os cães degustarão os meus dedos, antes dos vermes.
Deus!
Salve a alma destes poetas-escravo.
Salve a paz.
Deus! Liberdade!
Liberdade!!

RELAXE E GOZE / MARTA SUPLICI